Intolerância religiosa e a física quântica

Uma maneira muito fácil de aprender sobre a física quântica é através das Religiões de Matriz Africana (oriunda das religiões tradicionais africanas e das religiões afro-americanas). Olhando o pensamento e praticas das religiões de matriz africana as teorias quânticas de repente tornaram-se interessantes e as religiões de matriz africana ainda mais. Para compreendermos essa ligação vamos começar pelas três leis da termodinâmica (leis físicas da transferência de energia) sobre a morte, essas leis descreve com precisão a visão dos nossos antepassados sobre o mundo. As ideias africanas sobre a morte são incrivelmente similares às leis das teorias quânticas.

A primeira lei da termodinâmica afirma que a energia não pode ser criada ou destruída. É apenas transformada.

As religiões de matrizes africanas acreditam que a vida não acaba com a morte. Na verdade, a morte é um novo começo que permiti que as pessoas transcendam diferentes reinos. Não existe uma linha sólida entre a vida e a morte. E o mundo dos vivos e o mundo dos mortos nem sempre são mutuamente exclusivos. Nossos antepassados entendiam a energia, muito antes do Ocidente.

A segunda lei envolve um conceito mais complicado chamado entropia.

Entropia mede informações que tendem a diminuir ou aumentar durante um longo período de tempo. Isso significa que algumas das civilizações mais antigas do mundo possuem as informações mais indisponíveis. A informação no mundo de hoje é conhecida como energia. Nossos antepassados o chamavam de “Axé” (de asé, termo iorubá que significa “energia”, “poder”, “força”). Eles o chamaram de Asé, e eles descrevem a morte como a diminuição do poder, Força Vital ou Asé. Eles acreditavam em diferentes níveis de vida e morte. Se alguém estava sofrendo infortúnio, isso significava que sua força vital ou Asé, estava diminuindo.

A terceira lei afirma que, quando a energia diminui para zero, a entropia ou o caos se tornam mais constantes.

Isso ocorre porque os átomos só podem armazenar uma quantidade limitada de informações. Isso significa que a falta de dados é possivelmente armazenada em anti mundos ou realidades paralelas. Nossos antepassados entenderam que a morte não altera ou acaba a força vital de um indivíduo, mas faz com que ele mude sua condição. Como um corpo que se desintegra em uma sepultura, a informação, Força Vital ou Asé começa a se transformar em uma força coletiva chamada “antepassados”.

Muitos conceitos na antiga ciência africana correspondem às ideias da física moderna. Através da ciência da física quântica vamos mudar paradigmas e quebrar preconceitos, ações fundamentais para a superação da intolerância religiosa.

Por Hernani Francisco da Silva – Ativista Quântico  – Do Afrokut

Adaptado do artigo The African Science of Deathde  de Yamaya Cruz – http://newafricanspirituality.com

7 fatos que mostram o outro legado de Billy Graham

Dias após à morte de Billy Graham, não faltam elogios e exaltação das partes mais brilhantes e positivas do legado do pregador. Evangélicos aos montes, nas redes sociais, publicando e compartilhando palavras excessivamente generosas sobre Graham e seu trabalho no mundo. Muitos chegam a dizer que Graham evitou o fundamentalismo e pregou uma mensagem evangélica acolhedora. Manifestações bastante difícil para aqueles que foram alvo do preconceito de Graham. Devemos ter um olhar mais completo sobre fatos que mostram o outro  legado de Billy Graham:

1 – Billy Graham apoiou uma leitura fundamentalista da Bíblia no campo da justiça social.

“Durante seis décadas, Graham ensinou aos americanos que o governo não poderia ser um instrumento de Deus para promover justiça, nem em questões raciais e nem em outras questões importantes. Embora ele acreditasse na igualdade racial, sua teologia o cegou ao que agora sabemos é o melhor meio para alcançar essa igualdade”. The Guardian

2 – Billy Graham defendeu a Guerra Fria como uma batalha espiritual, pregando que a maior e mais eficaz arma contra o comunismo era ser um cristão nascido de novo.

Graham passou a ser “o principal motor do renascimento religioso da guerra fria da América”. Pregando a milhares, Graham apresentou o Evangelho como o único meio de salvação não só do inferno eterno, mas também das “forças do mal do comunismo”:

“A batalha é entre o comunismo e o cristianismo! … Quando o comunismo conquista uma nação, torna todo homem escravo! Quando o cristianismo conquista … faz todo homem um rei!” (Belton, 2010)

3 – Billy Graham defendeu a integridade de Nixon profundamente no escândalo Watergate.

“Quando a Casa Branca mostrou gravações que finalmente provaram o envolvimento do presidente na invasão, a primeira reação de Graham foi expressar o choque com o uso de palavrões pelo presidente.” Slate

4 – Billy Graham tinha pontos de vista homofóbicos. Apesar de não ter sido tão homofóbico quanto seu filho, Franklin Graham.

Em 1974, uma jovem escreveu para Graham dizendo que ela estava atraída por outra mulher. Ele escreveu:

“Seu carinho por outro de seu próprio sexo é mal direcionado e será julgado pelos padrões sagrados de Deus”. Graham também disse à mulher que ela poderia ser “curada” de sua atração pelo mesmo sexo através da crença em Cristo. HuffPost

5 – Billy Graham escolheu apresentar o racismo como um pecado do coração humano individual em vez de um mal cívico a ser corrigido pela autoridade política coletiva.

De acordo com Graham, o racismo, e toda injustiça social não é uma questão social / estrutural; é apenas um sintoma do pecado:

“Portanto, tudo o que precisamos fazer para salvar o país é converter os indivíduos ao cristianismo. Para Graham, simples assim: “Tudo o que você precisa é de Jesus”. Belton 2010

6 – Billy Graham convidou Martin Luther King Jr. para fazer uma oração pública em sua cruzada de Nova York em 1957.

Quando King foi preso em Birmingham, Alabama, em 1963, Graham disse ao New York Times que King deveria “puxar os freios um pouco”. Slate

7 – Billy Graham realizou reuniões segregadas no sul no início dos anos 1950.

Para justificar as reuniões segregadas Graham argumentou que se tratava de costume local. Slate

Historicamente Billy Graham, sobre a questão da justiça racial, jogou em ambos os lados promovendo a prática em teoria, mas nunca assumindo uma posição direta e consistente. Graham teve uma abordagem instintivamente moderada que continua a definir o espírito do evangelicalismo branco dominante.

Por Hernani Francisco da Silva – Do Afrokut

Referencias:

https://www.theguardian.com/commentisfree/2018/feb/21/billy-graham-wrong-side-history

Belton, David. 2010. “A Alma de uma Nação”. Deus na América.  ( http://www.pbs.org/godinamerica/transcripts/hour-five.html ).

https://slate.com/news-and-politics/2018/02/billy-grahams-impact-on-the-culture-not-to-mention-evangelicalism-is-nearly-incalculable.html

Ubuntu: uma filosofia quântica da África

Ubuntu é uma filosofia africana que vem sendo usada desde a origem da humanidade na Africa. É uma palavra originária do tronco linguístico banto, não tem tradução literal para o português, trata-se de um conceito amplo sobre a essência do ser humano, como palavra mais próxima tenho usado Humanitude.

Adama Samassékou, do Mali, presidente da Conferência Mundial de Humanidades, tem utilizado o conceito de Humanitude para traduzir essa filosofia de vida Africana. Em um artigo: “Humanitude, ou como saciar a sede por humanidade (Unesco) Samassékou diz:

“Foi com essas considerações em mente que, vários anos atrás, eu sugeri que explorássemos um novo conceito – humanitude – em referência à negritude, um conceito que herdei de meu mentor, o poeta Aimé Césaire, da Martinica.”

“Utilizo este conceito de humanitude para traduzir o que, na África, nós chamamos de maaya (em bamanankan, a língua bambara), neddaaku (em fulfulde, a língua fula), boroterey (em songai, a língua songai), nite (em wolof) e ubuntu (nas línguas bantu), entre outros. Existem muitos termos que significam, literalmente, “a qualidade de ser humano”.” Diz: Adama Samassékou.

Assim Ubuntu/Humanitude é: humanidade, bondade, compaixão, partilha, humildade, respeito mútuo e responsabilidade, interconexão, harmonia – um vínculo universal que liga toda a humanidade.

Por que o Ubuntu é uma filosofia quântica? A mecânica quântica ecoa o antigo conhecimento do ubuntu e do Egito Negro e outras culturas antigas em todo o mundo como: “a crença em um vínculo universal de partilha que liga toda a humanidade”. Ubuntu está bem descrito em ensinamentos antigos que são analisados na ciência moderna, incluindo a noção de totalidade e similaridade, postulada no campo de física quântica por David Bohm.

A filosofia africana do Ubuntu afirma que estamos todos conectados e a física quântica está constantemente apontando para a conexão como o caminho do Universo da mesma forma que as tradições espirituais defendidas pelos antigos Africanos.

A Lei do Mentalismo, a primeira das sete Leis Universais Quântica do antigo Egito Negro, nos diz que existe uma Consciência Universal da qual todas as coisas se manifestam. Todas as energias e assuntos em todos os níveis são criados e subordinados à Mente Universal Onipresente.

O Ubuntu baseia-se na ideia de que todas as pessoas estão relacionadas e faz parte de uma grande família. Assim como na física quântica, o Ubuntu sustenta que a separação não existe: estamos todos entrelaçados (os átomos), num emaranhado de conexões, infinitas. Quando estamos em sintonia com essa conexão, significa que estamos trazendo abertura e magnanimidade para os outros.

Por Hernani Francisco da Silva – Ativista Quântico Negro – do Afrokut