1 – Os verdes e amarelos e as vaias nas olimpíadas

Lavillenie foi novamente vaiado e chorou

Segundo os repórteres da Reuters, agência de notícias britânica, o público dos Jogos Olímpicos Rio vêm principalmente de uma classe média alta e rica, “acostumada a ser mimada” e cujo comportamento surpreende estrangeiros e envergonha compatriotas como um brasileiro que disse ter ficado constrangido com as vaias à delegação argentina durante a cerimônia de abertura. Para Matt Gatward, correspondente do jornal britânico The Independent, a torcida exagerou ao vaiar o tenista alemão Dustin Brown, que teve que abandonar a partida contra o brasileiro Thomas Belucci após torcer um tornozelo. Em um texto sobre o comportamento da torcida brasileira durante a competição de vôlei de praia, a revista americana Time questionou: “Será que os locais estão levando seu amor pelo esporte longe demais?”. A publicação citou o jogo de estreia das brasileiras Agatha e Bárbara, atuais campeãs mundiais. Após a derrota, as tchecas Hermannova e Slukova reclamaram das vaias que vinham das arquibancadas, a despeito dos pedidos do narrador oficial por moderação.

O francês Renaud Lavillenie ao perder a disputa no salto com vara para o brasileiro Thiago Braz, reclamou da torcida  e comparou os brasileiros com os nazistas nos Jogos de Berlim. O francês chegou a se desculpar pela comparação, mas manteve as críticas às vaias. As desculpas não foram suficientes. Ao subir ao pódio para receber a medalha de prata, Lavillenie foi novamente vaiado e chorou.

Os verdes e amarelos não reservaram as vaias apenas aos estrangeiros, a Seleção Brasileira de futebol masculino também provocou vaias depois das partidas contra a África do Sul e o Iraque.

2 – Os verdes e amarelos e os ‘bullyings’ nas Olimpíadas

americana Hope Solo se tornou alvo de bullying - olimpiadas rio2016

A veterana do futebol feminino, a americana Hope Solo se tornou alvo de ‘bullying’ da “torcida brasileira” após publicações sobre medo de contrair o vírus Zika no Brasil. Por ter publicado imagens e textos sobre sua preocupação com o vírus Zika antes da Olimpíada, a goleira Hope Solo se tornou alvo de gritos de “ôôô Zika” em cada participação nas partidas. No Twitter, fãs americanos criticaram a zombaria. “Caro Brasil, se você quer ser levado a sério, vaiar e gritar ‘zika’ toda vez que Hope Solo pega na bola não está ajudando”, escreveu a usuária Seanchai.

A Goleira do Canadá, Stephanie Labbé,  também foi vítima de bullying homofóbico durante a Olimpíada. torcedores que acompanhavam a partida de futebol feminino, entre Austrália e Canadá, na Arena Itaquera, com os gritos homofóbico “bicha” dirigido a goleira. Outros que sofreram bullying foram os atletas chineses “Yakissoba” e “China in box” era um dos gritos mais ouvidos nos ginásios olímpicos. 

3 – Os verdes e amarelos e a babá negra

Teresa Almeida ou simplesmente Bá

No jogo de handebol feminino entre Angola e Montenegro no Parque Olímpico, a torcida verde e amarelo, escolheu apoiar as angolanas. Os verdes e amarelos, como já sabemos, sua grande maioria é classe média alta e rica, tende a torcer por quem tem algum tipo de proximidade com eles. A goleira de handebol de Angola, Teresa Almeida, foi a escolhida para que os verdes e amarelos passassem a torcer pela seleção angolana. Os gritos de “ão, ão, ão, Bá é paredão!” e “A Bá é melhor que o Neymar” foram constantes nas partidas que disputou.

Que proximidade Teresa Almeida, a , tem com essa torcida? Será na lembrança da figura da babá negra? A atleta Teresa Almeida contou que sua ligação com o Brasil é antiga e que ganhou o apelido de “Bá” por causa da babá negra da Sinhá moça  novela brasileira.

4 – Os verdes e amarelos não parecem brasileiros

Torcedores chegam ao Maracanã para assistir jogos olímpicos do Rio-2016

Em um artigo do jornalista Dodô Azevedo, no G1, ele narra sua experiencia com torcedores estrangeiros nos jogos olímpicos.   Os Azebairjanos perguntaram a Dodô Azevedo porque dentro das arenas só se via gente branca se nas ruas viam tanto negros. Dodô explicou: “o Brasil foi o último país a abolir a escravatura. Eles ficaram chocados. Tinham certeza de que éramos o povo mais feliz e amoroso do planeta. Incapaz de escravizar-mo-nos uns aos outros”….Dodô continua o texto: “Começou o samba, ele pede uma rabada. O bar, a clientela começou a ferver. Ao contrário do que acontece nos Parque Olímpico, uma alegria inclusiva.” Segundo Dodô, em poucas horas no Bar, os azerbaijanos tinham conversado com mais brasileiros do que em uma semana nas arquibancadas e lugares oficiais de convivência olímpica.

No final do texto Dodô Azevedo escreve: “Dentro do bar, ninguém de verde e amarelo. No fim da noite, perguntaram, extasiados mas ainda confusos: – Por que as pessoas que não vestem verde e amarelo parecem mais brasileiras do que as que vestem?”.

Por Hernani Francisco da Silva – Do Afrokut

Com informações:

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/blog/dodo-azevedo/post/diario-olimpico-dia-quinze.html

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37011718

http://agenciabrasil.ebc.com.br/rio-2016/noticia/2016-08/veja-os-atletas-mais-amados-e-os-mais-vaiados-pelo-publico-na-olimpiada-do

(Visited 267 times, 1 visits today)