De acordo com os dados mais recentes o Brasil tem um caso de estupro notificado a cada 11 minutos. Os números são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A maioria das mulheres vivem com medo, vivemos hoje no Brasil uma Cultura do estupro, um ambiente em que a violência sexual contra as mulheres é naturalizada e banalizada na mídia e cultura popular.

O caso da adolescente de 16 anos que foi vitima de violência sexual por 33 homens no Rio de janeiro, reabriu o debate sobre a “cultura do estupro” no Brasil. Entre as muitas falas e frases, não faltaram aquelas que reforçam a cultura do estrupo: “Se ela estivesse na escola isso não aconteceria” ou “Se ela estivesse na igreja isso não aconteceria!”…Entre outras frases minimizando o estupro e culpando as vítimas pelo ato. Pesquisa divulgada pelo Ipea em 2014, mostra que 58,5% das pessoas concordam que “Se as mulheres soubessem como se comportar, haveriam menos estupros“.

Vejamos quatro mitos em que a cultura do estupro busca culpabilizar a vitima:

1 – Se ela estivesse na escola isso não aconteceria!

Menina estuprada em escola de SP reconhece agressores. A família da garota denunciou que ela foi vítima de estupro em uma escola da Zona Sul de São Paulo, segundo reportagem do SPTV. A estudante disse que foi estuprada por três alunos menores de idade dentro do banheiro da escola. O caso ocorreu na Escola Estadual Leonor Quadros, no Jardim Miriam. Do G1

2- “Se ela estivesse em casa isso não aconteceria!”

Morre jovem encontrada com sinais de estupro dentro de casa na Zona Norte. Uma jovem de 14 anos foi encontrada amarrada, amordaçada e com sinais de estupro no interior de sua casa, na localidade conhecida como Lote, no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Zona Norte da cidade. Ainda com vida a garota foi encaminhada para o Hospital Federal do Andaraí, mas não resistiu aos ferimentos. Do O DIA

Segundo o Ipea, 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados ou amigos/conhecidos da vítima, o que indica que o principal inimigo está dentro de casa e que a violência nasce dentro dos lares.Números mostram que 24,1% dos agressores das crianças são os próprios pais ou padrastos, e 32,2% são amigos ou conhecidos da vítima.

3- “Se ela estivesse no trabalho isso não aconteceria!”

Jovem é atacada e estuprada a caminho do trabalho. A moça seguia a pé para o trabalho quando foi surpreendida por um homem de estatura mediana, magro, moreno, a bordo de uma bicicleta verde. O estuprador que aparentava ter entre 20 e 25 anos e usava bermuda e camiseta, levou a vítima para um galpão nas proximidades do Parque de Exposições, onde cometeu a violência sexual. Do Sul Bahia News

4 – “Se ela estivesse na igreja isso não aconteceria!”

Pastor Evangélico estupra e toca fogo em menina de 10 anos. Uma Garotinha que se chamava Márcia Andréia do Prado Constantino foi pega dentro de uma das Igrejas Assembléia de Deus, de Maringá, Estado do Paraná, por um membro que já havia sido pastor, que foi afastado por suspeita de abuso. O mesmo conhecia a família e até tinha um convívio com os pais. O ex-pastor evangélico tem 3 filhos: um menino e duas meninas com idade inferior a 12 anos. Perguntado a ele se alguém fizesse com uma das suas filhas o que ele fez com essa menina das fotos, ele disse: “Eu mataria”. Do Retiro Noticias

Numa pesquisa desenvolvida pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, realizada junto a mulheres religiosas agredidas, 40% das atendidas são evangélicas. O Centro de Apoio a Mulheres Vítimas de Violência, afirma que 90% das mulheres que procuram ajuda são evangélicas, membros em sua maioria, de Igrejas Pentecostais. Agredidas pelos seus maridos, muitas vezes pastores, presbíteros e diáconos. A violência de seus maridos são entendidas como “investidas do demônio” e combatida pelo “poder’ da oração”. A denunciar seus companheiros agressores, são culpadas por estarem traindo seu pastor, sua igreja e o próprio Deus.

Segue algumas dicas para combatermos a cultura do estupro naturalizada por nós homens:

  • Primeiramente lutar diariamente contra o machismo que habita em nós;
  • Assumir a existência do machismo que oprime e mata mulheres;
  • Evitar o uso de linguagem que objetifica ou degrada as mulheres;
  • Interfira e oponha-se quando presenciar uma piada ofensiva, machista ou que banalize o estupro;
  • Se uma mulher declara sofrer assédios (sexuais,morais) ou é ameaçada, ofereça ajuda e não a questione sobre a roupa que usava ou sobre seu comportamento;
  • Pensar criticamente sobre as mensagens da mídia sobre as mulheres, homens, relações e violência;
  • Seja respeitoso no espaço físico dos outros, mesmo em situações casuais;
  • Envolva-se! Junte-se a um grupo ou comunidade trabalhando para acabar com a violência contra as mulheres.

Hernani Francisco da Silva – Do Afrokut

(Visited 234 times, 1 visits today)