Os participantes devem ser jovens negros da ABU, ABS ou ABP das 12 cidades foco e enviar documentos até 10 de maio

Com oficinas nos 12 estados brasileiros em que mais morrem jovens negros, a Aliança Bíblica Universitária do Brasil realiza em 2017 um projeto de combate e conscientização sobre o racismo. A iniciativa, chamada de “Igreja, Universidade e Racismo: respondendo aos desafios de uma juventude silenciada e exterminada”, conta com a parceria e financiamento da organização cristã Tearfund, que também esteve com a ABUB em projeto na região Norte.

 

O projeto, apelidado de “ABUB contra o racismo”, será realizado nos grupos locais das seguintes capitais: Maceió (AL), Belém (PA), Vitória (ES), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE), Aracaju (SE), Natal (RN), João Pessoa (PB) e Salvador (BA). Assim, todas as regiões da ABUB participarão, com destaque para a Nordeste, com seis grupos. O critério de escolha refere-se às cidades que possuem a maior taxa de homicídios de jovens negros por armas de fogo.

Serão mobilizados facilitadores nestes locais e realizadas atividades formativas e de sensibilização entre os grupos locais e nas igrejas, além da abordagem do tema nos encontros regionais. Os eventos de formação tratarão, entre outras coisas, do acesso, permanência e políticas afirmativas para os negros nas universidades.

Também ocorrerá um mapeamento das igrejas, coletivos e jovens evangélicos engajados no combate ao racismo e/ou na ampliação de direitos nas periferias e universidades. Além dos facilitadores, um grupo de assessores auxiliares e profissionais voluntários ajudarão na condução do projeto – no momento, cinco pessoas estão envolvidas nesta equipe, que ainda deve crescer.

O propósito não é apenas ampliar o debate sobre racismo e desigualdade e aprofundar a consciência do abeuense e dos cristãos, mas também transformar os participantes em sinalizadores do Reino de Deus em suas escolas, universidades, mercado de trabalho e igrejas, para que formulem e articulem estratégias de combate a esse pecado. No informativo “Uma volta pelo movimento”, a Secretária de Engajamento Missionário da ABUB Morgana Boostel, responsável pelo projeto, comentou:

“Vivemos um tempo em que o reino de Deus já está estabelecido, mas ainda não completo. Recebemos a tarefa missional de anunciar Jesus até que ele volte e ele mesmo nos orienta a andar como ele andou e ensinar isso aos demais. Nosso papel é sinalizar o reino, engajando em ações de justiça e cuidado integral daqueles que estão ao nosso redor. (…) Em nosso tempo a busca pela manutenção do poder (econômico e social) ainda tem gerado muitas mortes. No Brasil os “dignos de morte” têm cor. São os negros as maiores vítimas da violência e os que sofrem mais com a pobreza.” (Leia mais aqui.)

Edital para seleção dos facilitadores

 

Para que tudo isso aconteça, a primeira etapa será escolher facilitadores dos grupos locais envolvidos – e para isso a ABUB anuncia que estão abertas as inscrições até o dia 10 de maio e divulga o edital abaixo com todas as informações. Esses participantes, um para cada cidade, deverão ter entre 15 e 29 anos, ser envolvidos com o grupo, serem negros e possuírem algum envolvimento prévio com o tema. Dentre suas responsabilidades, organizarão e participarão das oficinas, farão o mapeamento e assessorarão a equipe da região, além de produzirem conteúdos para as redes sociais e prestar contas dos recursos financeiros.

Depois de escolhidos, eles participarão de um curso preparatório presencial, no qual serão abordados temas como Bíblia e racismo, extermínio da juventude negra, políticas de ação afirmativas e estratégias de mobilização. Além disso será construído um plano de ação de mobilização local. O curso deve ser realizado imediatamente antes ou depois do Congresso da Rede Miqueias no Brasil, do qual os jovens deverão pariticpar (mais informações aqui).

O trabalho será exercido em caráter voluntário, e cada facilitador receberá uma ajuda de custo para as ações e viagens.

Acesse aqui o edital para informações como:

  • perfil esperado,
  • responsabilidades,
  • inscrição,
  • processo de seleção e divulgação.

As inscrições vão até o dia 10 de maio. Confira também no edital as demais etapas e eixos do projeto.

A situação do negro no Brasil

 

A juventude negra é a maior vítima de homicídios em nosso país. Segundo a Anistia Internacional, dos 56 mil homicídios que ocorrem por ano no Brasil, mais da metade são entre os jovens. E dos que morrem, 77% são negros. Esses números de mortes ultrapassa os relacionados a territórios em guerra.

Nos últimos anos aumentou o número de jovens que acessam o ensino superior aumento. A análise dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, apesar de ter aumentado de 27% para 51% a frequência de estudantes entre 18 e 24 anos no ensino superior, essa expansão educacional apresenta disparidades, principalmente se levado em conta o critério racial. De acordo com o IBGE, o percentual de negros no ensino superior passou de 10,2% em 2001 para 35,8% em 2011.

As políticas afirmativas de acesso ao ensino superior possibilitaram um crescimento de negros na universidade. Dados do MEC informam que os negros são maioria nos financiamentos do FIES (50,07%) e nas bolsas do Prouni (52,10%). Entre as instituições públicas federais, de acordo com um relatório da ANDIFES, de 2003 para 2014 o percentual de estudantes pretos nas universidades federais passou de 5,9% para 9,8%. Entre os alunos que se declaram pardos, o avanço foi maior: de 28,3% para 37,7%. Em movimento inverso, o percentual de alunos que se dizem brancos nas salas de aula dessas instituições de ensino recuou de 59,4%, em 2003, para 45,6%, em 2014.

Nas igrejas, podemos dizer que o número de membros negros das evangélicas só é inferior ao de afrodescendentes católicos se forem levados em conta os números absolutos. São 55 milhões entre os 125 milhões. Os números, levantados pelo pastor e escritor Marco Davi de Oliveira e publicados em seu livro A religião mais negra do Brasil, apontam que as igrejas evangélicas, em especial as do segmento pentecostal, têm arregimentado muitos fiéis entre os indivíduos de etnia negra (assim são considerados, estatisticamente, as pessoas pardas e pretas).

Via ABUB

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