Quando foram eleitas as Sete Novas Maravilhas do Mundo, as pirâmides de Gizé foram tiradas do concurso. Nada mais justo. Não há por que submeter a julgamento a única das Maravilhas do Mundo Antigo ainda de pé.

Consagradas por Heródoto, elas vêm encantando gregos e troianos e todas as torcidas de todos os times do planeta há milênios. Tudo já foi dito, e é tudo verdade. Como Quéops, Quéfren e Miquerinos são de fato hors-concours, eu me proponho a listar as outras sete maravilhas do Egito.

1. A Pirâmide Escalonada de Sakara, nas imediações do Cairo

É o monumento mais antigo do Egito e do mundo, datado de 2650 a.C. Não bastasse isso, ela ainda impressiona pela grandeza e pela sensação de paz que proporciona, pelo fato de a urbanização da cidade não ter chegado até lá. Incluo a monumental estátua de Ramsés II em Mênfis, cidade que por séculos foi a mais importante e a mais cosmopolita do Egito. Se hoje resta pouco da antiga grandeza, o faraó deitado ainda é um espetáculo: mede mais de 10 metros de altura. Seriam 13 se não tivesse perdido parte das pernas.

2. Os templos de Karnak e Luxor

Mais que templos, são um conjunto de santuários, colunas, pilares e obeliscos dedicados aos deuses tebanos e aos faraós. Têm de ser vistos durante o dia e à noite, quando o deslumbre é ainda maior. Se de Mênfis resta muito pouco, a Tebas histórica está toda ali, perto de nossos olhos, mãos e coração. Impossível não se emocionar.

Ainda há uma avenida das esfinges ligando Karnak a Luxor. E mais ainda: o moderno e bem equipado Museu de Arte Antiga Egípcia vale uma visita, e passear de charrete, ou a pé, à beira do Nilo, preguiçosamente, é importante para digerir tanta informação.

3. Vale dos Reis, Vale das Rainhas e os Colossos de Memnon

Sobre o Vale dos Reis, apenas deserto, poeira e calor. Embaixo: tumbas e mais tumbas. As mais importantes são as de Ramsés IV, Ramsés I e Ramsés IX. Fartamente decoradas e pintadas, deixam-nos todos de boca aberta. No Vale das Rainhas, entre inúmeros templos funerários, destaque absoluto para o da rainha Hatchepsout, feito por Senenmout, seu arquiteto, primeiro ministro e favorito. Emerge da rocha com a qual parece mimetizar e, segundo o guia Michelin, “por suas proporções divinamente harmoniosas e pela qualidade da realização de sua estrutura, esse templo funerário deveria imortalizar não somente a rainha mas também seu arquiteto”.
Os Colossos de Memnon: duas gigantescas estátuas de Amenófi s III. São dois blocos monolíticos, pesando 720 toneladas cada um. O da direita de quem olha apresentava um fenômeno curioso que gerou mil histórias: depois da umidade da noite e com o calor do sol matinal, emitia sons que pareciam lamentos. Prato cheio para superstições e lendas.

4. Cruzeiro pelo Nilo

Nunca é demais lembrar que o Egito é uma dádiva do Nilo. Além do mais, navegá-lo é a melhor maneira de conhecer três dos mais bem conservados templos do país:

Dendera Inteiramente dedicado a Hator, deusa do amor e do sexo, protetora das mulheres e considerada babá do faraó. Todas as colunas têm capitéis com o rosto da deusa, sempre sem o nariz, culpa de um dos muitos invasores do Egito.

Edfu Mede 137 por 79 metros, o que o faz o segundo templo do Egito depois de Karnak. É dedicado a Horus, o falcão, marido de Hator. Consta que os deuses se visitavam anualmente, o que era motivo de festas que duravam um mês. Aqui os capitéis são variados: feixes de trigo, palmeiras, flores de lótus. Sem dúvida, serviram de inspiração para a art nouveau, séculos depois.

Kom Ombo Dedicado ao deus crocodilo Sobek e também a Horus, foi construído por Ptolomeu VI, no século 3 de nossa era. A localização é privilegiada: numa acrópole à beira do Nilo. Penso que no Egito todos os templos e estátuas não são apenas templos e estátuas, mas sim eternos vigilantes e testemunhas da história.

5. O Templo de Ísis na Ilha de Philae, em Aswan

Construído pelos ptolomeus, a última dinastia de faraós gregos (Cleópatra foi a derradeira rainha dessa dinastia), foi totalmente transportado de uma ilha para outra quando da construção da grande represa por Nasser, presidente do país entre 1954 e 1970. O lugar serviu de inspiração para um sem-número de escritores e artistas, que fizeram de Philae um centro de peregrinação poética no século 19. Aswan, debruçada sobre o Nilo – sempre ele -, ainda conserva o ar de mistério e sedução que inspirou Agatha Christie em seu best-seller Morte no Nilo.

6. Os Templos de Abu Simbel

A meia hora de vôo de Aswan, dedicados a Ramsés II e a sua bem-amada Nefertari. Talvez o testemunho mais grandioso do poder desse magnífico faraó se encontre aqui, nos confins do Egito, na fronteira com o Sudão. Os templos também foram mudados de lugar para escapar à inundação da grande represa de Nasser. O trabalho hercúleo de artesãos, engenheiros e arquitetos de todo o mundo foi tão monumental quanto as quatro gigantescas estátuas de Ramsés II, que guardam a entrada do templo e olham para o deserto sem fim.

7. A Península do Sinai

O balneário de Sharm El-Sheikh, famoso ponto de mergulho, é a base perfeita para visitar o Mosteiro de Santa Catarina, aos pés do Monte Sinai, onde Moisés, segundo a tradição, recebeu as Tábuas da Lei. Local sagrado para cristãos, judeus e muçulmanos, é um conjunto de construções, algumas datadas do século 4 de nossa era. O mosteiro é o único no mundo continuamente habitado, sempre por monges ortodoxos gregos, desde o século 6, tendo sobrevivido aos inúmeros invasores do Sinai. Seu interior guarda preciosidades, como a Igreja da Transfiguração, a Capela da Salsa Ardente, o Poço de Moisés e o Museu do Monastério. É a Bíblia ao vivo. Tudo precisa ser visto em apenas duas horas. Os monges abrem o lugar às 10 da manhã e fecham ao meio-dia, pontualmente.

Por RUI PORTO – a lista para você não se perder no fascinante, imenso e misterioso Egito.

Via Melhor Amiga

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