7 chaves da egiptologia afrocentrada que provam que o Kemet era uma civilização negra

Kemet era uma civilização negra.

A egiptologia “afrocentrada” é um campo de pesquisa iniciado por Cheikh Anta Diop, onde se estuda a civilização do Kemet, antigo Egito, com base no postulado de que é uma civilização negro-africana. De acordo com Diop, a civilização Kemética seria uma civilização “negra” e seria o berço das culturas da África subsaariana.

Diop argumenta a validade de sua posição, essencialmente, por uma série de considerações relativas às analogias que ele estabeleceu entre as culturas sub-saarianas e as do antigo Egito em termos de cor da pele, religião, proximidade linguística, sistema marital, organização social, etc. Para ele, as populações da África Subsaariana teriam como ancestral direto os antigos keméticos, alguns dos quais teriam migrado para a África Ocidental em particular.

Segue 7 chaves da egiptologia afrocentrada, criada por Cheikh Anta Diop, que provam que antiga Kemet era uma civilização negra:

1 – Testes de Melanina

Segundo Cheikh Anta Diop, os procedimentos egípcios de mumificação não destruíam a epiderme a ponto de tornar impraticáveis os diferentes testes de melanina que permitem reconhecer sua pigmentação. Ao contrário, dada a confiabilidade de tais testes, Diop se surpreende com o fato de que eles não tenham sigo generalizados, em relação às múmias disponíveis. Ele pediu ao curador do Museu do Cairo para lhe permitir realizar um teste de melanina (cor de pele) para determinar a pigmentação dos antigos Keméticos e assim terminar o debate. O curador recusou-se a permitir que ele realizasse o teste.  Segundo Diop, o teste, permitiria classificar os antigos egípcios inquestionavelmente entre as “raças” negras.

Com amostragens de pele de múmia egípcia, “obtidos no laboratório de antropologia física do Museu do Homem em Paris“, Cheikh Anta Diop realizou pequenos cortes, e a observação microscópica, com luz ultravioleta, o levou a “classificar indubitavelmente os antigos egípcios entre os negros”.

2 – Medidas Osteológicas

A osteometria, na opinião de Diop é um método “menos enganador” que a craniometria, seria mais uma técnica que confirmaria os egípcios como negros. Ele relatou que, por meio de medidas osteológicas (tamanho corporal determinado por músculos e ossos) usados na antropologia física, os antigos egípcios eram um povo africano.

3 – Tipo sanguíneo do Grupo B

Quanto aos tipos sanguíneos, Diop afirma que o grupo A seria característico da “’raça’ branca antes de qualquer miscigenação”, enquanto o grupo B seria típico das populações da África Ocidental. Observa que até hoje há uma prevalência do grupo B entre os egípcios, e propõe que se realizem testes sanguíneos nas múmias egípcias para verificar-se a distribuição dos tipos sanguíneos.

Ele discutiu a conexão do tipo sanguíneo do Grupo B entre as antigas e as modernas populações egípcias e a população africana da África Ocidental.

4 – Autores da Antiguidade Greco-romana

Diop elenca dez autores da Antiguidade greco-romana que se referiam aos egípcios como negros. Entre eles, Heródoto dizia que o povo kolchus descendia dos egípcios, pois ambos os povos tinham pele negra e cabelo crespo, e, principalmente, ambos praticavam a circuncisão. Num diálogo de autoria de Luciano, escritor grego, duas personagens, Licino e Timolaus, conversam sobre um jovem egípcio; Licino descreve-o como tendo a cor preta, lábios grossos, pernas muito finas. Os cabelos trançados fazem Licino supor que se trata de um escravo, mas Timolaus observa que, no Egito, ter os cabelos trançados é um sinal das “pessoas muito bem-nascidas”. A lista segue até o décimo autor clássico como Aristóteles, Estrabão, Diodores, e outros que se referiam aos egípcios e etíopes como pessoas com peles negras.

A conclusão de Diop é que “o grau de concordância entre eles é impressionante, constituindo um fato objetivo difícil de subestimar ou ocultar. A moderna egiptologia oscila constantemente entre esses dois pólos”.

5 – Comparação das Cosmogonias

Segundo Cheikh Anta Diop, a comparação das cosmogonias egípcias com as cosmogonias africanas contemporâneas (dogon, ashanti, yoruba, etc.) mostra radical semelhança que testemunha, segundo ele, um parentesco cultural comum. Ele aponta uma semelhança do Deus-Serpente Dogon com o Deus-Serpente egípcio ou ainda do Deus-Chacal dogon incestuoso como Deus-Chacal egípcio incestuoso. O autor invoca igualmente as isomorfias Noun/Nommo, Amon/Ama e, da mesma forma, as festas da semeadura e outras práticas culturais agrárias ou cíclicas.

Ele ilustrou como as inscrições divinas de Kemet associaram os sobrenomes dos deuses com a palavra negra; daí, um reflexo do bem (preto) nas pessoas e em Deus.

6 – Evidencias Bíblicas

Segundo Diop, os egípcios se intitulavam “KMT”, “os negros”, vocábulo do qual também derivaria a palavra bíblica Kam ou Cam. Ele ilustrou como na Bíblia (onde o Egito é mencionado mais de 750 vezes) de maneira geral, toda a tradição semítica (judaica e árabe) classifica o antigo Egito entre os países dos negros.

A Bíblia nos diz: “Estes foram os descendentes de Cam: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã”. Além disso, a Bíblia afirma que Mesraim, filho de Ham, irmão de Kush e de Canaã, vieram da Mesopotâmia para se instalar, juntamente com seus filhos, nas margens do Nilo. Isto significa que o Egito (Mesraim), Etiópia (Kush), Palestina e Fenícia antes dos Judeus e Sírios (Canaã), Arábia Felix antes dos Árabes (Pout, Hevila, Saba), foram todas ocupadas por Negros que haviam criado civilizações de milhares de anos nas regiões e haviam mantido relações familiares.

7 – Vínculo Linguístico

Ele investigou o vínculo linguístico entre a antiga Kemet e outras partes da África. Assim, de acordo com Diop e Obenga, as línguas negro-africanas contemporâneas e o egípcio antigo possuem um ancestral linguístico comum, cuja matriz teórica teria sido reconstituído por Obenga, que batizou-o como “negro-egípcio”.

A língua materna de Cheikh Anta Diop era o wolof (wolof, ouolof) e ele aprendeu o egípcio antigo por ocasião de seus estudos de egiptologia o que, segundo ele, lhe permitiu constatar concretamente que havia semelhanças entre as duas línguas.

Sabemos que alem dessas sete chaves da egiptologia afrocentrada, temos muitas outras evidencias através do trabalho de Diop e outros estudiosos, que mostra uma sólida conexão de linguagem, cultura, religião, biologia e relatos de testemunhas oculares, para provar que os antigos egípcios eram um povo africano. Eles eram um povo que se viam como negros, e outros povos se referiam a eles como negros.

Por Hernani Francisco da Silva – Do Afrokut

Referências:

DIOP, Cheikh Anta, “Origem dos antigos egípcios”, in MOKHTAR, Gamal (Org.), História Geral da África: a África antiga, São Paulo, Ática; Unesco, 1983 [1974], pp. 39-70.

Cheikh Anta Diop – http://fr.wikipedia.org/wiki/Cheikh_Anta_Diop ».

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