a pluralidade da experiência negra no Brasil

A seção de Produção Científica sobre o Movimento Negro Evangélico do Afrokut ganha um importante reforço com a incorporação de mais um estudo fundamental para a historiografia e as ciências sociais no Brasil. Trata-se da tese de doutorado “COR, CONTEXTO E CONTRADIÇÃO: a pluralidade da experiência negra no Brasil”, defendida por Rogério José de Souza no Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ, sob orientação do Prof. Dr. André Chevitarese.
Dando continuidade ao compromisso do Afrokut em visibilizar a produção acadêmica sobre a presença e a experiência dos evangélicos negros, esta série de artigos convida os leitores a romperem com visões monolíticas e essencialistas sobre a negritude e a religiosidade.
Por muito tempo, o pensamento social brasileiro associou a identidade negra exclusivamente às religiões de matriz africana, tratando o ingresso de negros no protestantismo sob a ótica do apagamento cultural ou da assimilação. No entanto, ao investigar as trajetórias, os conflitos e as reinterpretações teológicas tecidas por sujeitos negros evangélicos desde o século XIX até a contemporaneidade, a pesquisa revela um campo efervescente de resistência, agência política e construção identitária.
Ao longo dos textos publicados nesta série, o público do Afrokut acompanhará uma reflexão crítica que articula racismo estrutural, história das religiões, intelectualidade negra e o surgimento da Teologia Negra no Brasil. Acompanhe conosco mais este resgate fundamental para a compreensão da pluralidade e da complexidade da experiência negra em nossa sociedade!
Apresentação do Artigo 01 na Seção Produção Científica sobre o Movimento Negro Evangélico
AGOSTINHO JOSÉ: O LUTERO NEGRO
Autor da Tese: Rogério José de Souza
Orientador: Prof. Dr. André Chevitarese (PPGHC/UFRJ)
Resumo do Artigo:
O primeiro artigo da série resgata o caso emblemático de Agostinho José Pereira — o “Divino Mestre” —, figura do Recife oitocentista que passou a ser evocada no repertório do Movimento Negro Evangélico e da Teologia Negra brasileira como um mito fundador do protestantismo negro no Brasil.
A partir do interrogatório de Agostinho publicado pelo jornal Diário Novo em 1846, o texto examina como suas práticas — que incluíam a iconoclastia, o ensino da leitura para que negros e mulheres tivessem acesso direto às Escrituras e a crítica à Igreja Católica — foram interpretadas por historiadores ora como “culto africano”, ora como um “protestantismo negro” precoce. Mais do que enquadrá-lo em definições institucionais rígidas, o artigo propõe compreender o cisma do Divino Mestre a partir da chave dos cristianismos: uma devoção popular, plural e de fronteira, moldada pela busca de autonomia e dignidade no Brasil imperial.
Leia o texto: AGOSTINHO JOSÉ: O LUTERO NEGRO
Extraido do artigo:
COR, CONTEXTO E CONTRADIÇÃO:
a pluralidade da experiência negra no Brasil
Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em História Comparada, do Instituto do Instituto de História da Universidade federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários para obtenção do título de Doutor em História Comparada.
Orientador: Prof. Dr.º André Chevitarese
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